quinta-feira, 27 de setembro de 2018
COMPADRE MOREIRA
Valdemar Moreira (Compadre Moreira), nasceu em Cândido Mota, no interior do estado de São Paulo, em 04 de janeiro de 1933.
Em 1940, aos sete anos, recebeu a primeira proposta para formar uma dupla. Ele já cantava e contava piadas. Formou sua primeira dupla com Jesus Carmona com quem trabalhou por dois anos no circo de Nhô Fio. A dupla trabalhou na Rádio Difusora da cidade de Assis. Em 1944, foram contratados para fazer apresentações na Rádio Bandeirantes de São Paulo. Em 1950, conheceu sua futura esposa, Adelaide Balbo Moreira (Adelaide) nascida na cidade de Assis, no interior de São Paulo, em 05 de outubro de 1937. Com a mulher e o artista Bio formou um trio, com Adelaide executando as funções de acordeonista e posteriormente contracenando em cenas cômicas com o marido. Em 1964, Compadre Moreira e Adelaide gravaram o primeiro disco 78 rpm pela Califórnia, com as músicas "Mentira de Amor" e "Canção do Passarinho". Em 1967, lançaram um LP contendo canções e piadas. Em 1970, lançou o LP "O Rei dos Xerifes", com destaque para "Eu Só Sei Fazer Pelota", composição sua em parceria com Zé Matuto. Em 1971, gravou o LP "O Xerife da Pistola de Ouro", com números cômicos intercalados com músicas. Em 1972, lançou novo LP em que se destacaram "Santa Crioula da Pensão". Fez apresentações nas TVs Record e Gazeta. No mesmo ano atuou no programa "Linha Sertaneja", ao lado de Edgard de Souza e Carlos Alberto, na TV Globo do Rio de Janeiro. Em 1974, lançou "Bang Bang do Outro Mundo", em que interpretou músicas de terror e humor, e que fez sucesso com "A Cartilha Musical", parceria sua com o conhecido compositor Nhô Pai. Em 1975, gravou o LP "O Rei do Riso", coletânea de piadas, contendo ainda algumas músicas. Em 1977, lançou LP em que se destacaram duas composições suas em parceria com o sanfoneiro e radialista paulista Zé Béttio, "Não Quero Morrer Encalhado" e "Segura o Bode". No mesmo ano, interpretou o personagem Zé Preguiça no filme "Chumbo Quente", de Cleri Cunha. Em 1981, gravou pela Tocantins as composições "Meu Sabiá", "Meu Burro é um Barato", e "Égua Preta". Nos anos 80, deixou de apresentar-se em rádios, dedicando-se apenas ao circo comprado por seus filhos. Foi dono de circo e excursionou por São Paulo, Mato Grosso e outros estados.
No ano de 1985, Adelaide sofreu um acidente e a carreira foi encerrada. No ano de 1999 veio a falecer.
Em 2000 Compadre Moreira lançou duas coletâneas com o melhor de carreira, em homenagem a sua esposa e parceira artística. No ano de 2001, Compadre Moreira volta a gravar, pela Tocantins o CD "Rir é o Melhor Negócio" com participação do seu filho Edson Antônio Moreira, narrando as anedotas. Compadre Moreira faleceu em novembro de 2009, aos 76 anos de idade.
Compadre Moreira foi uma lenda viva da era do circo e do rádio. Um artista linha classe A, que o tempo implacável, como não poderia ser diferente, mudou a aparência física, mais não mudou o espírito.
Texto: Sandra Cristina Peripato
De: Recanto Caipira
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
CARMEN SILVA
Carmen Sebastiana de Jesus (Carmen Silva), nasceu em Veríssimo, no estado de Minas Gerais, em 22 de março de 1945, e é conhecida carinhosamente pelos fãs como "A Pérola Negra".
Iniciou sua carreira ainda muito jovem. Participou de vários programas de calouros. Venceu o concurso "Um Cantor Por um Milhão, um Milhão Por uma Canção", da Rede Record.
Seu primeiro sucesso foi a música "Adeus Solidão", no seu primeiro disco pela gravadora Philips, um compacto duplo. Ganhou diversos prêmios e troféus, como o "Roquete Pinto" e o "Chico Viola".
No início de sua carreira sofreu pressão por parte da indústria fonográfica para gravar sambas, ritmo com o qual não se identificava e pelo qual não queria ser estigmatizada, posto que preferisse interpretações românticas, o que criou polêmica entre muitos críticos.
Seus principais sucessos foram "Adeus Solidão", "Fofurinha", "Sapequinha", "Espinho na Cama", "O Destino nos Separou", "Amor com Amor se Paga" e "Ser Tua Namorada".
Faleceu em 26 de setembro de 2016, vítima de parada cardíaca.
Texto: Sandra Cristina Peripato
De: Recanto Caipira
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
JOÃO PAULO E DANIEL
José Henrique dos Reis (João Paulo) nasceu em Brotas, no interior do estado de São Paulo.
José Daniel Camillo (Daniel), também nasceu em Brotas/SP, no dia 09 de setembro de 1968.
Ainda pequeno aos 8 anos ganhou seu primeiro violão quando seu pai José Camillo notou a paixão pela música que o filho demonstrava. Desde então a música e Daniel não se separaram mais. Participou de diversos festivais regionais de música sertaneja, onde conheceu melhor o amigo João Paulo, com quem formou dupla em 1980 – nascendo então a dupla João Paulo e Daniel. João Paulo anteriormente formava com o irmão Francisco a dupla Neri e Nerinho.
O curioso da história da dupla é que os dois eram rivais nas apresentações que faziam em circos, praças e festivais. João Paulo cuidava do gado nas fazendas do pai de Daniel enquanto cantava com o irmão. Mas essa dupla não foi muito longe. Logo João Paulo e Daniel estavam cantando juntos, com o objetivo de gravar um disco, o que aconteceu com ajuda de amigos pela gravadora Tocantins, o LP "Amor Sempre Amor", lançado em 1985.
A partir daí, a dupla começou uma busca intensa e incessante pelo sucesso, divulgando o trabalho nas rádios e nas cidades do interior paulista. Porém o mercado fonográfico nacional só começou mesmo a aceitar a dupla, que sofreu inclusive o preconceito racial, em 1992.
Em 1996, com o lançamento de João Paulo e Daniel Vol. 07, a dupla finalmente se consagrou. O CD trazia a canção romântica "Estou Apaixonado", versão para Estoy Enamorado, de Donato e Estefano, que estourou nas rádios e na TV, como tema da novela global “Explode Coração”.
Em 12 de setembro de 1997, um acidente automobilístico mudou toda a trajetória da dupla, que acabara de conquistar discos de ouro e de platina por um CD ao vivo (o mesmo que deu origem ao VHS e, agora, ao DVD). Um acidente de carro matou João Paulo, e Daniel decidiu seguir a carreira sozinho, obtendo um sucesso comercial até maior que na época da dupla.
A morte de João Paulo em 1997 rompeu a trajetória dos amigos que começavam a trilhar o caminho do sucesso. Com o apoio dos familiares, amigos e fãs, Daniel decidiu seguir o sonho sozinho e continuar fazendo o que mais lhe completa que é cantar.
Daniel canta, dança, toca e interpreta… Seu inegável talento é reconhecido nacionalmente, tendo sido premiado 4 vezes como melhor cantor do Brasil pela Rede Globo, no programa do Faustão, além de ter recebido o prêmio SBT Internet, em 2004, 2007 e 2008, como melhor cantor, e outras diversas indicações. Em 2010 recebe o prêmio Grammy Latino, pelo álbum “As Músicas do Filme O Menino da Porteira”, e em 2012 foi indicado com o álbum "Pra Ser Feliz". Uma grande realização pessoal para Daniel em 2009 foi a reinauguração do Cine São José em Brotas/SP. O espaço que foi cinema e abrigou a Rádio Brotense na cidade por muitos anos, estava fechado há cerca de 20 anos. Daniel adquiriu o prédio, reformou e deu vida a este histórico espaço cultural de sua terra natal. A reinauguração aconteceu com a pré-estréia de “O Menino da Porteira” no mês de março de 2009.
Em 2010 começou o ano com novo escritório, a Daniel Promoções Artísticas, em Brotas, e casou-se em maio com Aline de Pádua, com quem já tinha um relacionamento duradouro e duas filhas.
De: Recanto Caipira
Texto: Sandra Cristina Peripato
sábado, 15 de setembro de 2018
WANDO
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Wando, nome artístico de Wanderley Alves dos Reis (Cajuri, 2 de outubro de 1945 — Nova Lima, 8 de fevereiro de 2012), foi um cantor, violonista e compositor brasileiro.
Seu estilo musical e a parte cênica de suas apresentações possibilitaram aspectos folclóricos como sua famosa coleção de calcinhas de fãs (estimada em 17 mil peças, que se tornou sua marca registrada e lhe rendeu o epíteto de Obsceno.
O hipocorístico Wando foi dado por sua avó. Ainda pequeno mudou-se de Cajuri para Juiz de Fora, onde formou-se em violão erudito e começou a lidar com música por volta dos 20 anos. Nessa época já participava de conjuntos e se apresentava em bailes na região. Mais tarde muda-se para Volta Redonda (Rio de Janeiro), onde trabalhou como caminhoneiro e feirante.
Sua carreira de cantor iniciou-se em 1969 e a de compositor logo depois. Suas primeiras composições eram sambas com levada de swing (o samba-rock) e foram gravadas pelo grupo Originais do Samba. "Catimba criolo, registrada no disco dos Originais em 1972 (O samba é a corda... Os Originais, a caçamba), provavelmente foi a primeira música gravada do mineiro de Cajuri. Depois dessa gravação, no ano seguinte foi a vez de "Ao velho poeta Pixinguinha, homenagem póstuma ao músico recém-falecido, ser lançada no álbum É preciso cantar, também do sexteto sambista.
Nesse mesmo ano de 1973, Wando gravou seu primeiro LP na gravadora Copacabana, Glória a Deus no Céu e Samba na Terra, sob o selo Beverly. Disco pontuado pelo samba, com letras ambientadas em subúrbios e favelas e temática social, é justamente nele que se encontra a gravação de "O importante é ser fevereiro, composto com Nilo Amaro (do conjunto "Os cantores de Ébano"), e que se tornou sucesso instantâneo ao ser gravado por Jair Rodrigues em 1974.
Ainda em 1974, lançou um compacto simples, contendo os sambas "Zeca Poeta de Guerra" e "Samba da Poeira", sendo este último o primeiro registro de música com o nome de sua primeira esposa, Rose Marie dos Reis. O cantor paranaense Franco Scornovacca registrou em seu LP "Não é nada disso, irmão" e os Originais do Samba gravaram "Não sei de nada", no disco Pra que tristeza.
Em 1975, Wando lança um disco homônimo que traz em seu bojo o estilo romântico que o acompanharia por toda a carreira, além de muitos outros samba-rocks que também seriam redescobertos no terceiro milênio. As faixas de destaque foram "Nêga de Obaluaê", que se tornou sucesso nos bailes de subúrbios, e "Moça", sua mais bem-sucedida canção, que alçou Wando definitivamente para o estrelato quando foi inclusa na trilha sonora da novela Pecado Capital, da Rede Globo. "Moça" já continha os elementos que fariam de Wando o "Obsceno": romantismo com toque levemente "picante". Também em 1975, o compositor e violonista paulistano Bebeto gravou "Esse crioulo por você se fez poeta" em seu disco de estréia. E ainda neste ano, teve seu samba "Nêga de Obaluaê" incluso no LP Brasil Som 75, programa musical da TV Tupi, apresentado pelo cantor e compositor fluminense Benito di Paula.
Em 1976, mais um disco homônimo, com uma característica já bem audível: a atmosfera dos sambas de outrora começava a se diluir, dando espaço aos temas românticos com tez mais "apimentada", como acontece em "Você às vezes até sou eu" (de Mathusalém) e "Vê, coração bandido, de estrutura melódica parcialmente copiada de "Moça", sugerindo uma carona no sucesso do ano anterior. Nesse ano, o cantor e compositor capixaba Roberto Carlos gravou "A menina e o poeta", canção que já deixa clara sua intenção de se tornar um cantor essencialmente romântico.
Morte
Em 27 de janeiro de 2012, Wando foi internado na UTI do Biocor Instituto, em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte, com graves problemas cardíacos.
Foi submetido a uma angioplastia de emergência e passou a respirar por aparelhos.
Sua morte, por parada cardiorrespiratória, foi anunciada às 8 horas da manhã de 8 de fevereiro de 2012 no Biocor Instituto.
O corpo do cantor foi sepultado em Belo Horizonte.
NENETE E DORINHO
Waldemar de Franceschi, o Nenete, nasceu em Santa Adélia, no interior do estado de São Paulo, em 29 de junho de 1919 e faleceu em 28 de dezembro de 1988, vítima de uma tentativa de assalto em sua residência na cidade de Pirassununga.
Isidoro Cunha, o Dorinho (apelido carinhoso que ele tem desde a infância), nasceu em Bernardino de Campos, no interior do estado de São Paulo, no dia 09 de julho de 1933 (algumas biografias mencionam Piraju/SP como a cidade-natal de Dorinho, mas na verdade, Piraju é a cidade onde ele foi registrado, no dia 18 de outubro de 1933).
Nenete já havia participado da dupla "Nenete e Ditinho" no ano de 1943 em Pirassununga, e já integrou também o "Trio Saudade", com Ninão e Nininho.
Com o "Trio Saudade", chegou a atuar na Rádio Record de São Paulo, no programa "Hora dos Municípios" comandado por Genésio Arruda entre 1947 e 1955.
Nenete também atuou durante 5 anos com o nome artístico de Limeira e formou dupla com Luizinho, tendo atuado durante um ano nos programas "Imagens do Sertão" e "Alma da Terra" na Rádio Tupi de São Paulo.
Isidoro Cunha, por outro lado, desde criança, aos 8 anos de idade, já cantava e tocava cavaquinho. Estreou como músico no ano de 1949 na Rádio Difusora de Ourinhos, cantando no "Trio Bernardinense".
E, no ano de 1950, Dorinho se mudou para a capital paulista, tendo formado a dupla "Doro e Dorinho", a qual se apresentou durante algum tempo no programa "Mutirão do Sumaré", comandado pela dupla Brinquinho e Brioso. A dupla "Doro e Dorinho" também foi vencedora de um concurso na Rádio Record de São Paulo.
E foi no ano de 1954 que Dorinho, participando do Concurso de Violeiros do IV Centenário da Cidade de São Paulo, conheceu Nenete e com ele formou a dupla "Nenete e Dorinho", que gravou o primeiro disco em 1955, com "O Milagre das Rosas" e "Toca o Sino". Nenete participava da Mesa do Juri nesse Festival. Tendo se surpreendido com a voz de Dorinho e, há um ano procurando por um parceiro, Nenete convidou Dorinho para que lhe visitasse e a partir daí, nasceu a renomada dupla.
Pouco tempo depois, a dupla "Nenete e Dorinho" passou a ser acompanhada pelo famoso acordeonista Nardelli (Antônio Onofre Figueiredo), que com eles formaram um trio de bastante sucesso, que deu um novo ritmo à música sertaneja e que foi levado pela professora Dulce Palma de Franceschi à Rádio Tupi, onde fizerem sua estréia como trio.
O trio "Nenete, Dorinho e Nardelli" recebeu inclusive o Troféu Roquete Pinto por seus sucessos. Foi também considerado como o trio mais premiado do Brasil pelos troféus e medalhas que receberam em sua trajetória artística.
A maioria dos discos de "Nenete, Dorinho e Nardelli" foram gravados na RCA (atual BMG), gravadora da qual em 1966 Nenete foi também nomeado produtor, cargo que ocupou até o ano de 1971, e no qual supervisionou diversas duplas, como Léo Canhoto e Robertinho, Belmonte e Amaraí, entre outras. Gravaram na RCA por 16 anos e gravaram ainda mais 3 discos na Continental, totalizando 20 LPs e mais de 30 discos 78 rpm. Após gravar mais um disco na Copacabana, Nenete resolveu parar com o trabalho por motivos de saúde.
Dorinho e Nardelli formaram então, juntamente com Reinaldo Benedetti (o Maracá) o trio "Maracá, Dorinho e Nardelli", que gravou mais dois LP's. Por motivos particulares, Nardelli deixou o trio em 1970 e foi substituído por Ponteli (João Pontel, nascido em Olímpia/SP no dia 22 de junho de 1938). O novo trio gravou então mais dois discos pela Phillips (hoje Universal) e encerrou as atividades em 1975.
Dorinho se casou com Iara Benedetti Cunha (nascida em Campinas/SP em 23 de fevereiro de 1958), filha de Maracá.
Em 1988, ocorreu o trágico falecimento de Nenete, conforme já foi mencionado.
No ano de 1994, Dorinho e Iara convidaram o acordeonista Ponteli, para fazer parte do novo trio que acabava de nascer: "Dorinho, Iara e Ponteli", conhecido carinhosamente como sendo "Um Trio de Ouro". Gravaram quatro CDs. O trio se desfez com o falecimento de Dorinho ocorrido em 08 de outubro de 2011.
Em 2012 Iara se une a Irene (do Duo Ciriema) e forma um novo trio "Irene, Iara e Ponteli", e gravaram um CD. Mas por motivos particulares esta união não deu certo, e em 2013 Iara se une à Linaldo, formando então o trio "Linaldo, Iara e Ponteli", e já lançaram o seu primeiro trabalho.
De: Recanto Caipira
Texto: Sandra Cristina Peripato
quarta-feira, 12 de setembro de 2018
ZILO E ZALO "AS VOZES ENCANTADORAS DO SERTÃO"
Aníbio Pereira de Souza (Zilo) nasceu em 01 de março de 1935 e Belizário Pereira de Souza (Zalo) nasceu em 25 de maio de 1937. Ambos nasceram no Bairro Ribeirão dos Cubos, no município de Santa Cruz do Rio Pardo, no estado de São Paulo, onde o senhor David Pereira de Souza era lavrador e proprietário de um bonito sítio. Ao todo na família são em seis irmãos, sendo quatro homens e duas mulheres.
Ainda garotos, na escola, começaram a cantar. Um primo, Joaquim Mendes (ótimo compositor) ensinou-lhes as primeiras posições e ministrou-lhes as primeiras aulas para domínio do violão. Mais tarde, esse mesmo primo seria grande incentivador da dupla, dando-lhes sempre ânimo para que vencessem na carreira artística.
Em 1954, com os nomes de Pereré e Pereirinha, cantaram durante seis meses na Rádio Difusora de Santa Cruz do Rio Pardo. No final do ano, senhor David decidiu mudar-se para São Paulo, trazendo toda a família. Não foi muito fácil eles conseguirem se apresentar nas emissoras de rádio. Isso só veio acontecer em 1955, quando foram ao Circo Rancho Alegre, do Paiozinho, que surgiu a oportunidade de cantarem uma moda de viola, com a seguinte condição: se o público aplaudisse, cantariam mais uma; qual não foi a surpresa dos irmãos que tiveram que cantar quatro músicas. Reconhecendo o talento da dupla, Paiozinho e Zé Tapera os levaram para participar do Programa "Casa do Fazendeiro" na Rádio Cultura de São Paulo. Nascia assim, a dupla Zilo e Zalo.
Em 1956 decidiram participar de um concurso promovido pela Rádio Record, o "Festival Jubileu de Prata da Rádio Record". Concorreram com duzentos e cinqüenta e três conjuntos. O processo era de eliminação e, quando os juízes revelaram o nome dos quinze conjuntos classificados, Zilo e Zalo conseguiram a nona colocação. Saíram do concurso com uma bela medalha e muito ânimo para voltar a tentar o rádio como profissionais. Poucos dias depois, levados por Zacarias Mourão estrearam na Rádio Bandeirantes nos programas "Serra da Mantiqueira" e "Brasil Caboclo", programas tradicionais da época. Através de Cascatinha, em 1958 gravaram seu primeiro disco 78 rotações pela Gravadora Todamérica, com as músicas "A Volta do Seresteiro" e "Adeus do Mineiro". Depois veio o segundo disco 78 rpm, com as músicas "Obrigado Sertanejo" e "O Crime do Fazendeiro".
Sempre fiéis ao estilo a dupla gravou dezoito discos 78 rpm. Somente em 1960, gravaram o primeiro LP pela Gravadora Continental, intitulado "Zilo e Zalo Cantam para seus Fãs".
Em 1966 gravaram um compacto simples pela Gravadora Chantecler, trabalho beneficiente para ser comercializado somente fora do país, com as músicas "Castelo de Areia" e "Grande Esperança".
Nos seus quarenta e seis anos de carreira, Zilo e Zalo passaram pelas melhores emissoras de rádio da capital paulista e gravaram pelas principais gravadoras: Continental, Chantecler, Todamérica, RCA Víctor, Tropicana, Copacabana, CBS, Beverly, Globo Gravações e MM.
Gravaram ao longo de sua carreira um total de 18 discos 78 rpm, 32 LPs e 04 CDs de Coletâneas.
Entre seus grandes sucessos: A Volta do Seresteiro, Feitiço Espanhol, A Grande Esperança, Vingança do Caçador, A Marca da Traição, O Incêndio, Chora Coração, O Milagre do Ladrão, Mineiro de Monte Belo, entre outros.
A dupla só veio a se desfazer com a morte de Zilo ocorrida em 06 de janeiro de 2002.
Graças as lindas vozes e ao grande sucesso alcançado, merecidamente receberam o slogan "AS VOZES ENCANTADORAS DO SERTÃO".
Zalo deu continuidade ao seu trabalho cantando com seu filho Renato, até que em 01 de agosto de 2012 veio a falecer com problemas cardíacos.
Texto: Sandra Cristina Peripato
MOCOCA E PARAISO
João Leôncio (Mococa), nasceu no dia 29 de março de 1939 na cidade de Mococa, no interior do estado de São Paulo; tendo sido registrado em Arceburgo, município contíguo, mas pertencente ao estado de Minas Gerais, talvez pelo fato do pai desejar ardentemente que o filho fosse mineiro. Cantava desde pequeno até a idade dos 20 anos, na Rádio Clube de Mococa com seu parceiro Garotinho, formando a dupla Canhoto e Garotinho.
Após esta idade, foi trabalhar na Empresa Camargo Corrêa, e por meio dela acabou sendo transferido para São Paulo, a pedido do velho amigo e diretor Deoclécio.
Já no ano de 1961, fez dupla com Mouraí, tendo com ele gravado dois compactos duplos na época, cujas obras mais destacadas foram: "Sagrado Coxim", em homenagem ao autor Zacarias Mourão e "Chore Comigo".
Em 1968 fez dupla com Moraci, gravando no total 33 LPs, numa parceria artística que durou 17 anos, até a morte do parceiro em São José do Rio Preto/SP, num acidente automobilístico no dia 20 de agosto de 1985. Entre os grandes sucessos de Mococa e Moraci, destacamos: "O Grande Milagre", "O Céu Chorou Por Mim", "A Noiva do Meu Bairro", "Copo de Cerveja", entre outros. De 1970 à 1975, participou com Moraci no Programa Edgard de Souza da Rádio Nacional, grande audiência na época, levado ao ar às 3ª feiras, no horário das 21:30 h. De 1976 até 1981 a dupla participou da Linha Sertaneja Classe A, programa de estrondoso sucesso comandado por Sebastião Victor e Zé Bétio pela Rádio Record de São Paulo.
Após o falecimento do parceiro Moraci, Mococa fez dupla com Paraíso no ano de 1986, com quem atua até hoje.
Mococa é pai de dois filhos, Silvia e João Paulo que, ao que parece, promete continuar as pegadas artísticas do pai.
José Plínio Trasferetti (Paraíso), nasceu na cidade de Elias Fausto, no interior do estado de São Paulo, em 01 de junho de 1947. Desde a infância, apoiado por seu pai Antonio, cantava nas festas de sua cidade, bem como na Rádio Cacique de Capivari, no Programa do Zé Coruja com o nome de Caboclo e Caboclinho.
No ano de 1962, mudou-se com a família para São Paulo, e continuou sua luta à procura de um parceiro com quem pudesse formar uma dupla sertaneja, sempre incentivado e estimulado pelo pai. Tal fato se deu somente no ano de 1967, quando formou a dupla Cristiano e Cristalino, chegando a vencer em 1º lugar o Festival de Música Sertaneja na TV Cultura de São Paulo, idealizado pelo Marechal Geraldo Meirelles, em seu Programa Cidade Sertaneja. O Prêmio foi a gravação de um LP na Gravadora Chantecler, além do contrato de 01 ano de apresentações na Rádio Nove de Julho e na Rádio Aparecida.
Paralelamente vinha desenvolvendo sua carreira como compositor, gravando com intérpretes de renome na época.
No ano de 1974 lançou uma nova dupla com o nome de Scoth e Smith, apadrinhados por Sebastião Victor e Benedito Seviero, tendo gravado pela Gravadora Chantecler dois LPs, e participado do Programa Linha Setaneja Classe A, pela Rádio Record de São Paulo, um dos programas líderes de audiência entre o público sertanejo. Esta dupla chegou a mudar de nome depois para Tomaz e Timóteo.
Mas a grande guinada em sua carreira veio no ano de 1978, quando a dupla Tião Carreiro e Pardinho se separou. Tião Carreiro, conhecido como "o maior violeiro do Brasil", convidou então o José Plínio para com ele formar uma dupla, e o batizou com o nome de Paraíso.
Juntos gravaram 04 LPs pela Gravadora Continental, até o ano de 1981, quando a dupla Tião Carreiro e Pardinho voltou a gravar juntos, e Paraíso seguiu sua carreira de compositor e produtor de discos.
Como Produtor Musical destacam-se inúmeros artistas, como Cézar e Paulinho, que além de terem sido produzidos por Paraíso, estouraram com seu primeiro grande sucesso como autor, a música "Noite Maravilhosa".
Nesta época, iniciou uma parceria fecunda com José Fortuna, destacando-se entre suas primeiras parcerias a obra "O Ipê e o Prisioneiro". Esta união musical se mantém até hoje, passando a seus cuidados a administração de todo o repertório de José Fortuna. São também seus parceiros de composições: Moacyr dos Santos, Jesus Belmiro, Benedito Seviero, Lourival dos Santos, José Caetano Erba, Wally Macedo, Tião Carreiro, Tinoco, Mococa, etc... em obras famosas como: "Saco de Ouro", "A Loira do Carro Branco", "Fazenda São Francisco", "Mala Amarela", "Franguinho na Panela", e tantas outras.
Algo a destacar em sua carreira como Produtor de Discos foi a descoberta da dupla João Paulo e Daniel, levados por Paraíso à Gravadora Chantecler, e tendo gravado seus dois primeiros LPs por seu intermédio e produção naquela Gravadora.
No ano de 1986 formou com Mococa a dupla Mococa e Paraíso, atuando juntos até os dias de hoje. Após terem gravado diversos CDs, a dupla lançou recentemente pela gravadora Arlequim seu 1º DVD "Mococa & Paraíso e Convidados", com as participações de Sérgio Reis, Bruno e Marrone, Cézar e Paulinho, Chico Rey e Paraná, Beth Guzzo, entre outros convidados. Acrescenta-se que neste DVD há um registro histórico dos anos 80 com um número musical de Tião Carreiro e Paraíso, gravado na TV Cultura de São Paulo, no Programa Viola Minha Viola.
Paraíso foi reconhecido em sua terra natal Elias Fausto, tendo sido agraciado com o Título de Cidadão daquele município no ano de 1997.
Atualmente, Paraíso além da dupla com Mococa, milita na área dos Direitos Autorais, tendo sua própria Editora e Gravadora que é a Fortuna Musical Edições Ltda, administrando e produzindo o repertório de diversos autores e intérpretes do universo sertanejo.
DE: RECANTO CAIPIRA
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TEDDY VIEIRA
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